Cargo de Confiança
por Marcos Figueira. Tempo estimado de leitura: cerca de 2 minutos.
Como próprio nome sugere, é um cargo com fiança. No Direito Civil, a fiança é um contrato pelo qual um devedor acessório junta-se a um devedor principal, a fim de garantir o adimplemento da obrigação por este assumida.
Como é notório, o fiador é aquele que se responsabiliza por aquele em quem confiou, a quem “deu fiança”. Por isso mesmo, cargos de confiança não estão sujeitos a concurso público, são cargos por indicação e, obviamente, indica-se pessoas em quem se confia pois, caso essa pessoa falte, o fiador é responsável pelo seu erro.
Você já soube de algum fiador que, tendo sido convocado a pagar a dívida de alguém a quem deu fiança, chegar na frente de um Juiz e pedir desculpa por ter sido “traído” e ficar por isso mesmo? Claro que não! Se você deu fianca a alguém, você é responsavel por esse mesmo alguém e, se essa pessoa não pagar, pagará você.
A Erenice Guerra tinha um cargo de confiança da então ministra Dilma, foi portanto nomeada e era “afiançada” pela ministra.
Infelizmente, apesar de amigas há mais de doze anos, veio à tona o fato de Erenice Guerra estar envolvida em um esquema de corrupção, juntamente com seus familiares diretos.
O que não é admissível, é a ex-ministra Dilma, repudiar as consequências dos atos perpetrados por sua afiançada. Ela se diz traída e simplesmente lamenta. Tal atitude abre um precedente perigoso: se eleita, outros casos como esse podem vir a acontecer e ela sempre se isentará de culpa ou responsabilidade, será, simplesmente traída e, quem sabe, se desculpará e se vitimizará.
Isso vem acontecendo no governo atual repetidas vezes. A culpa ou responsabilidade jamais é do presidente Lula, mesmo quando os atos ilícitos acontecem ao lado do seu gabinete.
Em uma empresa privada, quando um escândalo vem à tona, o presidente é sempre responsabilizado.
Recentemente o presidente da Enron, e boa parte da diretoria, foram responsabilizados e condenados pois, o que se compreende é que o líder deve estar à par do que acontece com seus subordinados e, se não o sabe, é por irresponsabilidade ou incompetência. Ao lider cabe escolher os ocupantes de seus cargos de confiança a se responsabilizar pelos seus atos. De outra forma, o que sobra é a co-participação e a conivência.
A pergunta que resta é: que tipo de presidente você deseja ter?
